{"id":5652,"date":"2018-05-19T11:28:21","date_gmt":"2018-05-19T14:28:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/?p=5652"},"modified":"2018-05-19T11:28:21","modified_gmt":"2018-05-19T14:28:21","slug":"tinta-natural-a-base-de-terra-como-assim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/tinta-natural-a-base-de-terra-como-assim\/","title":{"rendered":"Tinta natural \u00e0 base de terra, como assim?"},"content":{"rendered":"<p>Quem acompanhou nosso financiamento coletivo desde in\u00edcio viu que n\u00f3s oferecemos como recompensa para os primeiros benfeitores uma amostra de tinta de terra feita pelo nosso parceiro Programa Saberes da Terra. Gostariam de saber mais sobre como funciona esse tipo de tinta? Ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o pode perder esse texto.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Saberes da Terra \u00e9 um programa de extens\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, tendo como orientador o professor Mateus de Carvalho Martins. Atuante desde 2011, o Programa prop\u00f5e o resgate da arquitetura vernacular, aquela que utiliza elementos locais como mat\u00e9ria-prima, sendo a terra um grande exemplo. Por meio de oficinas te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas de tinta de terra e adobe em museus, escolas e com os moradores de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei e regi\u00e3o, procura-se conscientizar e disseminar essas t\u00e9cnicas tradicionais e discutir acerca da educa\u00e7\u00e3o patrimonial.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5663\" aria-describedby=\"caption-attachment-5663\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/lima.tec.br\/arquitetas\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Coleta-em-Prados-III-e1526746728938.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5663\" src=\"https:\/\/lima.tec.br\/arquitetas\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Coleta-em-Prados-III-e1526746728938.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Coleta-em-Prados-III-e1526746728938.jpg 960w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Coleta-em-Prados-III-e1526746728938-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Coleta-em-Prados-III-e1526746728938-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5663\" class=\"wp-caption-text\">Coleta-em-Prados-III. Fonte: Programa Saberes da Terra<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_5664\" aria-describedby=\"caption-attachment-5664\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/lima.tec.br\/arquitetas\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Cores-de-terra.jpeg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-5664 size-large\" src=\"https:\/\/lima.tec.br\/arquitetas\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Cores-de-terra-1024x768.jpeg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Cores-de-terra-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Cores-de-terra-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Cores-de-terra-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Cores-de-terra.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5664\" class=\"wp-caption-text\">Cores de terra. Fonte: Programa Saberes da TerraFonte: Programa Saberes da Terra<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O carro-chefe de convites para a reali<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">za\u00e7\u00e3o de oficina \u00e9 o de tinta de terra, devido \u00e0 sua aplicabilidade no cotidiano. A tinta de terra \u00e9 uma t\u00e9cnica derivada do barreado \u2013 que consiste na dilui\u00e7\u00e3o do solo argiloso em \u00e1gua, aplicando a mistura na superf\u00edcie com o aux\u00edlio de um pano \u00famido &#8211; adicionada de cola \u00e0 base PVA. Essa adi\u00e7\u00e3o foi a maneira encontrada para a aplica\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica em alvenaria cer\u00e2mica, produzindo, assim, uma esp\u00e9cie de tinta l\u00e1tex de melhor ader\u00eancia e durabilidade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para fazer a tinta de terra \u00e9 necess\u00e1rio conhecer primeiramente um pouco sobre a sua composi\u00e7\u00e3o. O solo \u00e9 composto por tr\u00eas tipos de gr\u00e3os: a argila, o silte e a areia; os quais se diferenciam pela granulometria (tamanho do gr\u00e3o).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">ARGILA: \u00e9 o gr\u00e3o de menor tamanho. \u00a0Um solo argiloso (que cont\u00e9m a argila como gr\u00e3o principal) deixa uma colora\u00e7\u00e3o e tem forte ader\u00eancia \u00e0 pele. N\u00e3o \u00e9 indicado para a fabrica\u00e7\u00e3o da tinta por sua dificuldade de aplica\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que se formam blocos na superf\u00edcie e, al\u00e9m disso, a segunda dem\u00e3o repuxa a primeira.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">SILTE: \u00e9 o gr\u00e3o de tamanho m\u00e9dio. Um solo siltoso (que cont\u00e9m o silte como gr\u00e3o principal) apresenta uma textura macia, parecida com talco. \u00c9 o tipo de solo mais indicado para a fabrica\u00e7\u00e3o da tinta, pois garante uma boa qualidade, homogeneidade, ader\u00eancia e colora\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">AREIA: \u00e9 o gr\u00e3o de maior tamanho. Um solo muito arenoso (que cont\u00e9m a areia como gr\u00e3o principal) escorre mais facilmente pelos dedos das m\u00e3os, sendo poss\u00edvel sentir os gr\u00e3os. Esse tipo de solo n\u00e3o \u00e9 indicado para a fabrica\u00e7\u00e3o da tinta, j\u00e1 que o resultado ap\u00f3s a pintura \u00e9 uma superf\u00edcie de textura \u00e1spera, a qual perder\u00e1 rapidamente sua colora\u00e7\u00e3o por abras\u00e3o ou exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s intemp\u00e9ries.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5670\" aria-describedby=\"caption-attachment-5670\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/lima.tec.br\/arquitetas\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/III-Tinta-de-terra.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-5670 size-large\" src=\"https:\/\/lima.tec.br\/arquitetas\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/III-Tinta-de-terra-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/III-Tinta-de-terra-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/III-Tinta-de-terra-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/III-Tinta-de-terra-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/III-Tinta-de-terra-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/III-Tinta-de-terra.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5670\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Programa Saberes da Terra<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_5671\" aria-describedby=\"caption-attachment-5671\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/lima.tec.br\/arquitetas\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Lagoa-Dourada-2016.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5671 size-large\" src=\"https:\/\/lima.tec.br\/arquitetas\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Lagoa-Dourada-2016-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Lagoa-Dourada-2016-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Lagoa-Dourada-2016-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Lagoa-Dourada-2016-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Lagoa-Dourada-2016-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Lagoa-Dourada-2016-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5671\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Programa Saberes da Terra<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s o reconhecimento da terra adequada para a fabrica\u00e7\u00e3o da tinta, \u00e9 realizada a coleta. Normalmente essa etapa ocorre em taludes de beiras de estradas ou nos fundos de quintal. Com o aux\u00edlio de uma p\u00e1, retira-se os torr\u00f5es da terra escolhida. \u00c9 importante remover a camada superficial da terra para depois realizar a coleta, a fim de se evitar o recolhimento de materiais org\u00e2nicos e outros componentes indesejados. Outro ponto importante \u00e9 que o trabalho com a terra e posterior tratamento se torna mais f\u00e1cil quando ela est\u00e1 seca, portanto \u00e9 indicado evitar essa etapa ap\u00f3s per\u00edodos de chuva. \u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Realizada a coleta, \u00e9 necess\u00e1rio peneirar a terra, de forma a deix\u00e1-la o mais uniforme poss\u00edvel, desfazendo os torr\u00f5es e os aglomerados. Quanto mais fina e homog\u00eanea estiver a terra, melhor ser\u00e1 o resultado da pintura.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5656\" aria-describedby=\"caption-attachment-5656\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/lima.tec.br\/arquitetas\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/saberes-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5656\" src=\"https:\/\/lima.tec.br\/arquitetas\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/saberes-2.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/saberes-2.jpg 960w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/saberes-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/saberes-2-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5656\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Programa Saberes da Terra<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s o processo de peneira\u00e7\u00e3o, adiciona-se \u00e0 terra, \u00e1gua e cola \u00e0 base PVA &#8211; como exemplo a Cazcorez Universal &#8211; nas propor\u00e7\u00f5es de 1:1:1\/2, respectivamente. A textura fica semelhante \u00e0 uma tinta l\u00e1tex industrializada. \u00c9 importante ressaltar que essa propor\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exata, j\u00e1 que as quantidades variam de acordo com a natureza da terra. Indica-se utilizar um pouco menos de \u00e1gua, para n\u00e3o correr risco de a tinta ficar muito rala.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A tinta pode ser utilizada em papel branco, kraft, paredes, madeiras, entre outras superf\u00edcies. No caso de pinturas em paredes, \u00e9 indicado a utiliza\u00e7\u00e3o do rolo de l\u00e3 e o tempo de 3 horas entre as dem\u00e3os. O rendimento \u00e9 de 18L de tinta para 70 m\u00b2 a cada dem\u00e3o. Al\u00e9m disso, \u00e9 indispens\u00e1vel o preparo da parede antes da aplica\u00e7\u00e3o, como lix\u00e1-la, para retirar as imperfei\u00e7\u00f5es, e aplicar um pano \u00famido para que a parede absorva a menor quantidade de \u00e1gua da pr\u00f3pria tinta, e facilite sua aplica\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m a utiliza\u00e7\u00e3o de outros tipos de ligantes al\u00e9m da cola \u00e0 base de PVA, como a cola de madeira e o grude. O primeiro apresenta \u00f3timos resultados quanto \u00e0 qualidade de cobertura, por\u00e9m devido \u00e0 sua cor amarela, modifica muito a colora\u00e7\u00e3o final da tinta. O segundo ligante \u00e9 o que menos modifica a colora\u00e7\u00e3o da tinta, por\u00e9m, por ser um produto org\u00e2nico, tem uma durabilidade menor, principalmente quando exposto \u00e0s intemp\u00e9ries, e por isso \u00e9 mais indicado para interiores. A pr\u00f3pria cola branca altera levemente a cor, deixando a tinta um pouco mais clara, por\u00e9m \u00e9 o tipo de ligante que apresenta o melhor custo-benef\u00edcio, podendo ser utilizado tanto em \u00e1reas internas quanto externas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 tamb\u00e9m a possibilidade de acrescentar algum tipo de corante \u00e0 tinta de terra, podendo ser ele org\u00e2nico, como o sumo da beterraba, a c\u00farcuma e o sumo da couve; ou industrializado, como o pigmento xadrez. \u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A utiliza\u00e7\u00e3o das tintas naturais, principalmente \u00e0 base de terra, garante a qualidade das tintas industriais no quesito durabilidade e ader\u00eancia e concilia a sustentabilidade, diminuindo dessa maneira os impactos ambientais e tamb\u00e9m, a redu\u00e7\u00e3o dos custos na obra.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5674\" aria-describedby=\"caption-attachment-5674\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/lima.tec.br\/arquitetas\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Restaurante-Cal\u00acndula-antes2016.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5674 size-medium\" src=\"https:\/\/lima.tec.br\/arquitetas\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Restaurante-Cal\u00acndula-antes2016-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Restaurante-Cal\u00acndula-antes2016-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Restaurante-Cal\u00acndula-antes2016-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Restaurante-Cal\u00acndula-antes2016.jpg 960w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5674\" class=\"wp-caption-text\">Antes da pintura.\u00a0Fonte: Programa Saberes da Terra<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_5675\" aria-describedby=\"caption-attachment-5675\" style=\"width: 399px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/lima.tec.br\/arquitetas\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Restaurante-Cal\u00acndula-depois-2016.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5675\" src=\"https:\/\/lima.tec.br\/arquitetas\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Restaurante-Cal\u00acndula-depois-2016-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"399\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Restaurante-Cal\u00acndula-depois-2016-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Restaurante-Cal\u00acndula-depois-2016-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Restaurante-Cal\u00acndula-depois-2016.jpg 960w\" sizes=\"(max-width: 399px) 100vw, 399px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5675\" class=\"wp-caption-text\">Depois da Pintura.\u00a0Fonte: Programa Saberes da Terra<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem acompanhou nosso financiamento coletivo desde in\u00edcio viu que n\u00f3s oferecemos como recompensa para os primeiros benfeitores uma amostra de tinta de terra feita pelo nosso parceiro Programa Saberes da Terra. Gostariam de saber mais sobre como funciona esse tipo de tinta? Ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o pode perder esse texto. O Saberes da Terra \u00e9 um programa de extens\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, tendo como orientador o professor Mateus de Carvalho Martins. Atuante desde 2011, o Programa prop\u00f5e o resgate da arquitetura vernacular, aquela que utiliza elementos locais como mat\u00e9ria-prima, sendo a terra um grande exemplo. Por meio de oficinas te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas de tinta de terra e adobe em museus, escolas e com os moradores de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei e regi\u00e3o, procura-se conscientizar e disseminar essas t\u00e9cnicas tradicionais e discutir acerca da educa\u00e7\u00e3o patrimonial. &nbsp; O carro-chefe de convites para a realiza\u00e7\u00e3o de oficina \u00e9 o de tinta de terra, devido \u00e0 sua aplicabilidade no cotidiano. A tinta de terra \u00e9 uma t\u00e9cnica derivada do barreado \u2013 que consiste na dilui\u00e7\u00e3o do solo argiloso em \u00e1gua, aplicando a mistura na superf\u00edcie com o aux\u00edlio de um pano \u00famido &#8211; adicionada de cola \u00e0 base PVA. Essa adi\u00e7\u00e3o foi a maneira encontrada para a aplica\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica em alvenaria cer\u00e2mica, produzindo, assim, uma esp\u00e9cie de tinta l\u00e1tex de melhor ader\u00eancia e durabilidade. Para fazer a tinta de terra \u00e9 necess\u00e1rio conhecer primeiramente um pouco sobre a sua composi\u00e7\u00e3o. O solo \u00e9 composto por tr\u00eas tipos de gr\u00e3os: a argila, o silte e a areia; os quais se diferenciam pela granulometria (tamanho do gr\u00e3o). ARGILA: \u00e9 o gr\u00e3o de menor tamanho. \u00a0Um solo argiloso (que cont\u00e9m a argila como gr\u00e3o principal) deixa uma colora\u00e7\u00e3o e tem forte ader\u00eancia \u00e0 pele. N\u00e3o \u00e9 indicado para a fabrica\u00e7\u00e3o da tinta por sua dificuldade de aplica\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que se formam blocos na superf\u00edcie e, al\u00e9m disso, a segunda dem\u00e3o repuxa a primeira. SILTE: \u00e9 o gr\u00e3o de tamanho m\u00e9dio. Um solo siltoso (que cont\u00e9m o silte como gr\u00e3o principal) apresenta uma textura macia, parecida com talco. \u00c9 o tipo de solo mais indicado para a fabrica\u00e7\u00e3o da tinta, pois garante uma boa qualidade, homogeneidade, ader\u00eancia e colora\u00e7\u00e3o. AREIA: \u00e9 o gr\u00e3o de maior tamanho. Um solo muito arenoso (que cont\u00e9m a areia como gr\u00e3o principal) escorre mais facilmente pelos dedos das m\u00e3os, sendo poss\u00edvel sentir os gr\u00e3os. Esse tipo de solo n\u00e3o \u00e9 indicado para a fabrica\u00e7\u00e3o da tinta, j\u00e1 que o resultado ap\u00f3s a pintura \u00e9 uma superf\u00edcie de textura \u00e1spera, a qual perder\u00e1 rapidamente sua colora\u00e7\u00e3o por abras\u00e3o ou exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s intemp\u00e9ries. Ap\u00f3s o reconhecimento da terra adequada para a fabrica\u00e7\u00e3o da tinta, \u00e9 realizada a coleta. Normalmente essa etapa ocorre em taludes de beiras de estradas ou nos fundos de quintal. Com o aux\u00edlio de uma p\u00e1, retira-se os torr\u00f5es da terra escolhida. \u00c9 importante remover a camada superficial da terra para depois realizar a coleta, a fim de se evitar o recolhimento de materiais org\u00e2nicos e outros componentes indesejados. Outro ponto importante \u00e9 que o trabalho com a terra e posterior tratamento se torna mais f\u00e1cil quando ela est\u00e1 seca, portanto \u00e9 indicado evitar essa etapa ap\u00f3s per\u00edodos de chuva. \u00a0\u00a0\u00a0 Realizada a coleta, \u00e9 necess\u00e1rio peneirar a terra, de forma a deix\u00e1-la o mais uniforme poss\u00edvel, desfazendo os torr\u00f5es e os aglomerados. Quanto mais fina e homog\u00eanea estiver a terra, melhor ser\u00e1 o resultado da pintura. Ap\u00f3s o processo de peneira\u00e7\u00e3o, adiciona-se \u00e0 terra, \u00e1gua e cola \u00e0 base PVA &#8211; como exemplo a Cazcorez Universal &#8211; nas propor\u00e7\u00f5es de 1:1:1\/2, respectivamente. A textura fica semelhante \u00e0 uma tinta l\u00e1tex industrializada. \u00c9 importante ressaltar que essa propor\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exata, j\u00e1 que as quantidades variam de acordo com a natureza da terra. Indica-se utilizar um pouco menos de \u00e1gua, para n\u00e3o correr risco de a tinta ficar muito rala. A tinta pode ser utilizada em papel branco, kraft, paredes, madeiras, entre outras superf\u00edcies. No caso de pinturas em paredes, \u00e9 indicado a utiliza\u00e7\u00e3o do rolo de l\u00e3 e o tempo de 3 horas entre as dem\u00e3os. O rendimento \u00e9 de 18L de tinta para 70 m\u00b2 a cada dem\u00e3o. Al\u00e9m disso, \u00e9 indispens\u00e1vel o preparo da parede antes da aplica\u00e7\u00e3o, como lix\u00e1-la, para retirar as imperfei\u00e7\u00f5es, e aplicar um pano \u00famido para que a parede absorva a menor quantidade de \u00e1gua da pr\u00f3pria tinta, e facilite sua aplica\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m a utiliza\u00e7\u00e3o de outros tipos de ligantes al\u00e9m da cola \u00e0 base de PVA, como a cola de madeira e o grude. O primeiro apresenta \u00f3timos resultados quanto \u00e0 qualidade de cobertura, por\u00e9m devido \u00e0 sua cor amarela, modifica muito a colora\u00e7\u00e3o final da tinta. O segundo ligante \u00e9 o que menos modifica a colora\u00e7\u00e3o da tinta, por\u00e9m, por ser um produto org\u00e2nico, tem uma durabilidade menor, principalmente quando exposto \u00e0s intemp\u00e9ries, e por isso \u00e9 mais indicado para interiores. A pr\u00f3pria cola branca altera levemente a cor, deixando a tinta um pouco mais clara, por\u00e9m \u00e9 o tipo de ligante que apresenta o melhor custo-benef\u00edcio, podendo ser utilizado tanto em \u00e1reas internas quanto externas. H\u00e1 tamb\u00e9m a possibilidade de acrescentar algum tipo de corante \u00e0 tinta de terra, podendo ser ele org\u00e2nico, como o sumo da beterraba, a c\u00farcuma e o sumo da couve; ou industrializado, como o pigmento xadrez. \u00a0\u00a0 A utiliza\u00e7\u00e3o das tintas naturais, principalmente \u00e0 base de terra, garante a qualidade das tintas industriais no quesito durabilidade e ader\u00eancia e concilia a sustentabilidade, diminuindo dessa maneira os impactos ambientais e tamb\u00e9m, a redu\u00e7\u00e3o dos custos na obra.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5654,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[17,19,26,23],"tags":[91,12,119,120,63],"class_list":["post-5652","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dicas","category-materiais","category-obra-sustentavel","category-blog","tag-arquitetas-nomades","tag-arquitetura","tag-arquitetura-vernacular","tag-tinta-te-terra","tag-tintas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5652","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5652"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5652\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5654"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5652"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5652"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.arquitetasnomades.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5652"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}